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segunda-feira, 19 de maio de 2008

é em biquinhos de pés que...

eu sou uma bailarina.
tenho os pés marcados e calejados da carne que já avistei e do sangue que se foi mostrando, ando com os pés para fora e com as pernas abertas, tenho dores nas costas da postura de bailarina a que já me habituei, sei vestir uma personagem e levá-la a palco como a bruxa da Bela Aformecida, a espanhola da Paquita, o gato do Quebra-Nozes. Já dei aulas de ballet, já ouvi um envergonhado "danças muito bem" e, acima de tudo, já pisei muitos e variados palcos, já trabalhei com várias equipas técnicas, já enfrentei públicos diferentes, já me vesti em camarins de estrela, e de cada vez que estou prestes a subir ao palco, penso que, apesar de me tremerem tanto as pernas, eu sou feliz ali, vou sonhando e tocando o céu da minha dança, e é igual à nossa vida, ao nosso frenético dia-a-dia em que grandes momentos são antecedidos de pernas bambas, de roer as unhas até fazer sangue, de olhares e sorrisos de incentivo, e depois é tudo espantosamente mágico, os vultos da regie, as luzes que fazem o corpo suar, o público concentrado e curioso, a cortina que abre após a contagem decrescente do técnico de palco, e quando começa a música o coração vai acompanhando com o seu ritmo permanente e os braços acompanham a melodia suave das notas conjugadas numa harmonia sem fim, e por momentos estou num campo verde onde dou vida à dança do tempo, o meu tempo, que acaba numa vénia ao som das palmas batidas mesmo ao pé do coração e é um sonho, o meu sonho de pequena bailarina vestida com o tutu ( 'eueu' para os amigos!) e com as minhas pontas que me fazem dançar em biquinhos de pés, tal como nos livros de princesas sonhadoras...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

olho para trás

"eu tentei, mas fugiu de mim

sabia que o escuro não era tão grande assim

e com o tempo acordei

e agora é que olho para trás

vejo que errei

vejo que o sol que me deste

um dia perdeu-se por trás das nuvens do céu

vejo que o sol que me deste

desapareceu



com tudo escuro não consigo acordar

ajuda divina estou aqui a suplicar

envia-me o que não vi

e perdoa-me.

mas eu quero gritar:

sou mais do que um ser

sou vida, sou os tempos

que passam desde que destruí

e agora, tão só, te peço:

Perdoa-me pois não resisti!



(...)



e se este chão onde apoias os pés

um dia ruir

não tens pra onde fugir

onde quer que vás eu irei

mas nem sempre te salvarei



sentes que sozinho não consegues lutar muito mais"



Parabéns João Nuno, como sempre!

Escolíadas 2008, Escola Jaime Magalhães Lima, Esgueira


há músicas assim que nos roubam palavras de gargantas secas e que nos fazem tremer as pernas e ficar arrepiados, há músicas assim que nos completam e acompanham, há músicas assim cheias de alma e de sons bonitos, há músicas assim que nos deixam frágeis, que nos devolvem a inocência e nos sugam a capacidade de discernimento que ainda nos resta no meio disto tudo...

domingo, 11 de maio de 2008

Fátima Jovem 08

Lá fui... Deixei os ensaios, o meu coro dos pequeninos, a física, a minha cama, o meu descanso e Fui, no verdadeiro significado do verbo Ir, Fui sem Ficar, Fui e levei-me, não deixei nada, nem o corpo, nem a alma, só um bocadinho do pensamento ficou, mas é normal, é bom sentir que dentro de mim já há uma semente de responsabilidade que faz com que eu me preocupe com aquilo que fica sem mim!
Foram dias de gargalhadas, de cantorias que deram em rouquidão, de animação, de duc in altum, de dependências, de bolhas e lágrimas de dor, de olhares e palavras de incentivo, de ouvir tão alto o grito da palavra Amizade... Dias de abraços de apoio, dias de "Margarida, me traz um chá meu bem", dias de pura Loucura! Dias de sermos Loucos por Deus, de sentirmos que Ele está sempre connosco e que faz com que tudo valha a pena, dias de lançar sonhos em balões que, espero mesmo do fundo do coração, tal como o p.Rui, não rebentem, dias de brincar com o Salvador e sentir uma felicidade enorme ao ouvir 'Mãmã, é a Maía! ', afinal não te esqueceste de mim e até perguntaste pela 'Maía!' muitas vezes!
Um fim-de-semana de emoção, de sonho e de partilha, um fim-de-semana em que me senti em casa, em família! E nestas coisas concluo, ao voltar à rotina, que vim mais cheia, mais completa, mais rica, e é por isso que vale sempre a pena!
Ser feliz não custa! =)

(ficam as memórias, os rostos de felicidade, e deixo aqui uma migalinha do que foi!)

domingo, 27 de abril de 2008

como por magia...


Assim por entre raios de sol que cheiram a verão e aragem quente que lembra calções e havaianas, surge um Domingo, já mais arejado e a adivinhar alterações no clima que, tal como sempre, começa com um acordar cedo e continua com um adormecer, que se repete de semana para semana, e que hoje fez com que nem desse para fazer o curativo ao pé!!

Domingo continua a cheirar a dia de missa de crianças, a dia de almoço de família cá em casa, a dia de descanso e recomeço, apesar de cada vez cheirar mais a dia de estudo, a dia de tardada no quarto a fazer exercícios de Matemática, a dia de preparação psicológica para a semana que se avizinha, a dia de organização da semana, a dia de 'meu deus, que semana que eu vou ter!', a dia de 'e mais uma semana acabou, parece que o tempo voa!'.. Mas não deixa de ser o Domingo, dia do meu coro dos pequeninos que cada vez mais é sinónimo de diversão e encontro de gerações, dia de estar com os melhores amigos e saber que juntos trabalhamos, cantamos e animamos, dia do Padre Rocha gozar com o meu vestido de grávida de gémeos enquanto o Padre Rui se ri e vai mandando bocas e tocando no interruptor enquanto me despenteia (e que bem que ele sabe qual é a melhor forma de me irritar!), dia de oferecer pedras preciosas vindas directamente dos pinheiros do Canadá e dia de comer "falocas" que vão lembrando uma infância tão boa de reviver!


Um dia sempre repleto de novas experiências, de novas conversas, de novos ventos...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

"Abraça-me!"

Foi a palavra que esteve colada nas minhas costas durante uma tarde após uma intervenção como "fazes ballet não fazes? então vira-te que tens uma carinha laroca para vender abraços! by: padre Rui". E foi assim que comecei a passear pela cidade a dar abraços a 50 cêntimos, ou de graça, como a grande maioria. Abracei o polícia, a avó da Becas, uma criança aborrecida, uma senhora que caiu, e tantos outros que, sem me conhecer, me abraçaram e me fizeram sentir o invulgar que é, e não devia ser, abraçar, sem razão aparente, simplesmente porque não há nada melhor que um abraço.. e quando são daqueles que duram segundos que parecem durar anos e contêm neles uma volta ao mundo, um renascer, o satisfazer de uma necessidade silenciada, o prazer de abraçar um amigo! ai, esses são mágicos!

(André.Inês.Júnia.Maria - os melhores amigos)


agora vou ver o gui dormir e esperar que a mãe chegue para ele não ficar sozinho, já que o pai está fora e a mati foi agora dormir. estava tão cansado e rabugento o principezinho! afinal, vida de moço de 5 anos é cansativa! :)

terça-feira, 15 de abril de 2008

brincando aos sorrisos...

No sábado fiz um novo amigo!
Sempre que podia espreitava o blog da mãmã dele, na esperança de ver mais uma foto, mais uma experiência, mais qualquer pequena coisa que me cativasse ainda mais do que o pequeno grande sorriso que já me tinha cativado.. E foi no sábado à tarde que o vi, entretido a comer as suas pipocas e envergonhado por ver tanta gente, ainda para mais, desconhecida. Sou apaixonada por crianças, acho que só alguém muito frio e desconfortável com a vida consegue resistir à doçura de um bébé, à inocência de uma criança, que no fundo, não é mais do que a essência da existência, o projecto de um Homem... É uma vida sorridente! Tento aproveitar ao máximo todos os momentos que me fazem lembrar e reviver a criança que há dentro de mim. Sim, porque há sempre uma criança dentro de nós, e eu não tenho vergonha de mostrar a minha, sempre me senti muito bem com ela.
O Salvador lembrou-me a facilidade de um sorriso, a vida numa mala atirada ao ar que vai cair lá longe, a felicidade de conhecer novos amigos de papel e poder contar a toda a gente esse grande acontecimento... Uma porta que, fechada a cadeado, se vai abrir com as "chaves da Mãmã" ou com as "chaves da Maria", e mesmo sabendo que a porta não se ia abrir com as nossas chaves, eu sentei-me no chão com o Salvador, experimentei com ele todas as chaves, fiquei desiludida quando não abria, sorri-lhe e experimentámos os dois o olhar de entusiasmo quando parecia que ia abrir... No fim, a porta continuou fechada e ficámos um bocadinho tristes, mas aquele grande bocadinho de felicidade terminou da melhor maneira, com um beijinho do pequeno Salvador!!
:)
um grande beijinho para a família "girassol", juntamente com a promessa (está é para o Salvador!) de que, sempre que a Mãmã Catarina e o Pápá Pedro deixarem, vamos brincar muitas vezes, às chaves ou às malas e pipocas atiradas ao ar, às corridas ou aos amigos de papel, aos sorrisos genuínos e olhares encantadores!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

vou escutando, assim...

“Escuto mas não sei

Se o que oiço é silêncio

Ou Deus.

Escuto sem saber se estou ouvindo

O ressoar das planícies do vazio

Ou a consciência atenta

Que nos confins do universo

Me decifra e fita.

Apenas sei que caminho como quem

É olhado amado e conhecido

E por isso em cada gesto ponho

Solenidade e risco.”


Sophia de Mello Breyner

Hoje estou num dia mau, estou cansada e com dores, mas vou aguentando movida pelo stress, que me faz ir caminhando e sobrevivendo, que é como quem diz, escutando o que me rodeia, assim, simplesmente, como quem escuta, no silêncio, no meu silêncio... =)
E nestes dias, não há nada melhor que recordar, e no reviver encontrar um sorriso espontâneo, captado por uma máquina fotográfica, e supervisionado pelo olhar atento e protector deste amigo que me levou a conhecer o sítio mais bonito do Mundo, e que hoje me arranca tantos sorrisos sempre que se ri como o Scooby Doo e goza comigo quando eu estou "passada"! A ele, que me vai guiando e mostrando este admirável Mundo Novo...
(Padre Rui . Maria)

terça-feira, 25 de março de 2008

um admirável mundo novo! :)

15 de Março de 2008

após uma manhã repleta de dor física, de cansaço e vontade de ficar na cama que levou a uma fuga da aula de ballet, foi-se aproximando uma tarde de nervoso miudinho, de ansiedade e de voltas para aqui e para ali em género de preparação, física e psicológica, para um grande acontecimento!! :) mas no meio do trabalho acelerado houve tempo para sorrisos fotogénicos prontos a ser captados por uma máquina que estivesse a jeito...





e assim se fez o 2ºFé'stival da Canção, uma noite magnífica e cheia de momentos bons que tanta vontade dão de recordar, de voltar a viver, e apesar da Vera-Cruz não ter atingido o lugar esperado na classificação, fomos felizes e aproveitámos ao máximo a noite, para aprender e conviver e, acima de tudo, para partilhar o nosso tesouro com um público tão entusiasta e disposto a bater palmas até ao encerrar do espectáculo, encerrar este já tardio, mas cheio de gargalhadas e aplausos às tão revitalizantes palavras do nosso Padre Rui e ao pequeno , mas importante discurso do nosso Bispo!! :D
Quanto à ceia, apenas aviso que o caldo-verde estava divinal e que com a fome que tínhamos parecia tudo um verdadeiro banquete!! Obrigada.



16 de Março de 2008


As 2 horinhas de sono serviram para descansar um bocadinho e ganhar energia para o "Grande Dia", que começou tão cedo (6h30), mas sempre repleto de boa disposição matinal e ansiedade.
Animado o pessoal, e depois de rezar um bocadinho ao Senhor, vamos aos workshops que, meu Deus, eram tantos e todos tão bons e entusiasmantes, perto de 25. Depois de ter apanhado o workshop de hip-hop cheio, fui para o de aeróbica, assim meia aluada e receptiva... Houve galhofa, ideias engraçadas, pequenas partidas, dores abdominais de tanto rir, tempos mal contados, distracção, muitas fotos e muita diversão, como se pode ver...





Esfomeados, fomos almoçar todos juntos na tentativa de ganhar mais forças e muito mais energia para a tão esperada tarde de partilha e diversão. Com as expectativas no topo, começou a tarde e a cada momento da pequena história do pintor, um admirável mundo novo se vislumbrava!! =) dançámos, cantámos, saltámos, berrámos, rimos, chorámos e ao som do "duc in altum" fomos mostrando a todos e nós próprios que o mundo espera por nós e que é nas nossas mãos que está a construção deste admirável mundo novo. No fim da missa, movidos pela euforia e nostálgicos pelo fim, fomo-nos apercebendo, nos olhares e nos sorrisos, que afinal, é possível um admirável mundo novo, basta sonhar, acreditar e viver, e voltamos às nossas casas cheios de esperança e com um brilho especial nos olhos, o brilho da descoberta!!


Obrigada a quem colaborou, a quem organizou, a todos aqueles que não descansaram e não dormiram para toda esta conquista de um admirável mundo novo, mundo este que até o Mickey descobriu!!


=D

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

...

eu nunca disse que gostava de fazer asneiras!
desde pequena que passo a vida a ser chamada à atenção. em criança pequena porque só fazia disparates, não parava quieta e não me calava, e agora, em criança grande porque saio até tarde, porque faço muito ballet, porque não me preocupo com a minha saúde... se calhar ainda ninguém percebeu que são tudo tentativas para afastar a dor, o cansaço! passo tardes no ballet a matar o corpo com ideia de que enquanto dói o corpo nada mais dói, mas acabo por concluir que, no fim, dói a consciência, dói o facto de se ter cometido um disparate e de saber que a seguir aos disparates vêm os 'puxões de orelhas' e continuam a chamar-me à atenção e a moer-me o juízo como se eu não tivesse noção das coisas. são tudo pequenos lapsos momentâneos que acabam com lágrimas de arrependimento! e eu odeio quando é pior a emenda que o soneto, quando, na tentativa de facilitar, dificultamos... há fases na vida em que ela parece um nó que se vai complicando cada vez mais e não há forma de o desfazer. cai a esperança e a luz, e tudo fica imensamente escuro, imensamente assustador, imensamente real! admito que faço asneiras, que não sou perfeita e que estou bastante longe de o ser, admito que não gosto de errar e até de ser chamada à atenção, mas também admito que já sou capaz de reconhecer a importância dos erros e quedas, sempre seguidos de palavras duras de ouvir! tudo isso me faz crescer, tudo isso é essencial, mas se crescer é difícil porque é que crescemos? era tão mais simples escolher o caminho da facilidade, embora tão mais incorrecto e inútil...
eu só queria que tudo fosse um bocadinho mais fácil!
*

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

nem tudo será meu para sempre!


'E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.

Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.

Não perdi nada, apenas a ilusão que tudo podia ser meu para sempre!'